Black Friday ou Black Fraude?

Faz alguns anos que já convivemos com essa nova data comercial presente em nosso calendário, onde têm-se a promessa de descontos significativos no mercado varejista. A Black Friday(sexta feira negra) surgiu nos EUA na década de 90 em alusão ao dia posterior ao Dia de Ação de Graças, que marca o início do período de compras natalinas. Outra explicação para essa nomenclatura é por conta do período em que o conforto financeiro dos lojistas é maior, quando eles saem do seu balanço negativo(representado pela cor vermelha nas finanças) e começam a ter  balanços positivos (representado pela cor preta).

No Brasil, a Black Friday debutou em 2010 e foi inteiramente online, com a adesão de mais de 50 marcas do varejo nacional e um número promissor de vendas. Mas foi em 2012 que a data ganhou uma maior notoriedade, mas não por conta do sucesso de suas vendas, e sim por conta do alto número de ofertas falsas criadas pelos lojistas, que tinham como prática inflar seus produtos dias antes da data para então criar "promoções imperdíveis", prática que ficou famosa pela expressão "pague a metade do dobro" e que ajudou a data a ganhar o infame apelido de "Black Fraude".

Mas afinal, vale ou não vale a pena comprar na Black Friday brasileira?  Segundo números da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), as lojas virtuais nacionais movimentaram R$ 2,48 bilhões, o que representa uma alta de 16% em relação ao mesmo período de 2016, ou seja, um desempenho sensacional para data. Mas como nem tudo são flores,de acordo com o portal InfoMoney, o site ReclameAqui registrou, entre o período de 18hrs de quinta(23) até 17hrs de sexta(24), mais de 100 reclamações por hora, totalizando 3,5 mil reclamações referentes à data, um aumento de 17% em relação ao ano anterior.

Mesmo tendo esse crescimento no número de reclamações, o cenário é de otimismo em relação às ofertas apresentadas este ano. De acordo com um levantamento de dados feito pela empresa  WebGlobal, empresa especialista em Big Data Analytics aplicada ao monitoramento de preço, aponta que em todas as categorias de produtos monitoradas houve uma redução significativa de preço para a data, algo bastante satisfatório para os consumidores que realizaram compras entre os dias 23 e 24 de novembro.

Outro ponto importante a ser destacado é a grande procura por parte dos empresários em adquirir o  Selo Black Friday Legal, criado pela Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (camara-­e.net) no ano de 2013, e que tem como objetivo identificar as empresas que aderiram ao Código de Ética da iniciativa, comprometendo-se com as boas práticas do e-commerce, e foram aprovadas no processo de avaliação da entidade, que verifica, entre outros pontos, se o site disponibiliza aos consumidores informações como CNPJ, Razão Social, endereço completo e formas de contato

A verdade é que, por mais que ainda existam empresas que  tentem  maquiar suas ofertas para se aproveitar da disposição dos clientes em comprar na Black Friday, vale sim a pena guardar um dinheiro para conferir as ofertas apresentadas neste período. Mesmo tendo um histórico de várias tentativas de enganação por parte dos lojistas, nota-se uma real diminuição dos preços de produtos de diversas categorias, mostrando que o Brasil começa a criar uma cultura relacionada à data, e que pode ser extremamente benéfica tanto pra quem vende, quanto pra quem compra.

Atenciosamente,

Filipe Oliveira

Diretor de Marketing Instabuy

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